Open/Close Menu Site da Dra. Carolina Ambrogini, Ginecologista e Obstetra em São Paulo - SP, Especialista em Saúde Feminina e Sexualidade, consultório na Vila Olímpia.
negociar objetivos do casal

Como negociar objetivos do casal em um relacionamento

Tem que ceder e ter jogo de cintura. É difícil, mas vai transformar vocês em um casalzão da p#rr@.

Quanto mais duas pessoas que se amam têm planos em comum para o futuro, mais fortalecido fica o relacionamento e maiores são as chances de conquistarem os objetivos. É como cantava Raul Seixas: “Sonho que se sonha junto é realidade”. A gente aprendeu a traçar metas para perseguir nossa felicidade, que muitas vezes inclui encontrar um mozão. Mas quando nos percebemos em uma relação, tendo que parar de considerar apenas o que nós queremos, dá uma baqueada. “No começo é mais difícil, por falta de costume. No planejamento a dois, nem tudo sairá do seu jeito. Abrir mão de algumas coisas para agradar ambos os lados é importante”, diz o psicólogo Ghoeber Morales, mestre em análise do comportamento, de Belo Horizonte. O diálogo é a terceira parte de uma relação, porque só uma boa conversa resolve impasses inevitáveis na vida de um casal. E sempre será mais fácil tomar uma decisão quando você levanta com o outro as diversas possibilidades de uma mesma situação. Em todos os cenários a seguir, a gente te entrega a lição de casa prontinha para você traçar os planos de vida com o boy.

OBJETIVO: Abrir um negócio

Sabe por que empreender é um desafio maluco? Porque você tem que manjar muito da área em que vai investir. É preciso saber fazer a gestão completa: estar ligada nos aspectos legais da empresa, no desempenho financeiro, na divulgação da marca e dos produtos ou serviços, na satisfação dos clientes, no desempenho da equipe… Além de muitas horas de dedicação, entram na conta os cursos de capacitação e os aprendizados com base nos erros reais. Agora, imagine fazer tudo isso sem ter o apoio de quem você ama. “É uma atividade de risco, que exige investimentos, cria incertezas e fica mais difícil se ainda tiver que ir contra a família”, diz a consultora do Sebrae-SP Esmeralda Queiroz Cruz. Por isso, tem que combinar em quais termos trabalharão. Quando os dois atuam juntos, há o apoio constante e a certeza de ter alguém de confiança ao lado. Mas do outro lado vem o desgaste de passarem o dia grudados, o risco de a renda de ambos vir de uma mesma fonte e a questão de lavar a roupa suja do trabalho no tanque de casa — vocês discutem sobre a empresa e se sentem desrespeitados como marido ou mulher. Já quando só um vive o dia a dia do negócio, o risco financeiro é menor, porque deve haver o combinado de que ele será sustentado enquanto a empresa não decola. Mas e o investimento inicial, de onde virá? Da reserva financeira dos dois? Tem que decidir também. Abrir um negócio, mesmo que para tocar sozinha, deve ser encarado como construir um patrimônio a quatro mãos, porque ele estará te cobrindo em outras frentes para que você possa empreender.

OBJETIVO: Decidir ter ou não filhos

É ainda durante o namoro, quando os dois começam uma relação mais séria, que essa conversa deveria aparecer. “Um querer filhos e o outro não é uma incompatibilidade muito grande, que se torna um impasse e pode ser difícil continuarem juntos. Porque quem cede vai abrir mão de algo muito importante no seu plano de vida”, diz a ginecologista e obstetra Carolina Ambrogini, da Universidade Federal de São Paulo, colunista da COSMO. A decisão não passa só pela condição financeira, é preciso conseguir abrir espaço na vida para uma terceira pessoa. Consome tempo livre, plano de carreira, noites de sono, individualidade, liberdade e privacidade. Mas traz amadurecimento, um coração que bate fora do peito, a possibilidade de educar um ser humaninho e de ver o amor da sua vida tornar-se um pai maravilhoso. Não tem jeito, vai muita conversa para descobrir se vocês estão prontos, nunca estarão ou ficarão no futuro. Só que o futuro, neste caso, pode te trazer dificuldades em realizar o sonho. O relógio biológico dá uma acelerada: após os 35 anos, os óvulos envelhecem e aumentam as chances de uma gravidez de risco. Até para congelar, é recomendado não ter mais do que isso, porque a perda de qualidade do óvulo impacta diretamente nas chances de fecundação pelo espermatozoide. Processos de fertilização assistida não são simples nem baratos (pode chegar a custar de 5 mil a 20 mil reais) ou tem sucesso garantido. Percebe a responsa desse combinado? Adotar também é opção — afinal, filho não precisa ser biológico. Mas é outro processo que exige parceria para aguentar o tranco. São 40 mil pais pretendentes no Cadastro Nacional de Adoção para pouco menos de 8 mil crianças cadastradas (isso, 5×1). E o perfil idealizado é inversamente proporcional à maioria disponível — 80% querem filhos até 5 anos, mas somente 25% das crianças estão nessa faixa etária. Vocês terão de conversar sério sobre quem é esse filho que procuram: qual idade, com ou sem irmãos, menino ou menina, pode ou não ter problemas de saúde? Falar de adoção é falar de espera (que pode durar anos). E, além disso, vocês terão que passar por avaliações, com direito a entrevistas e visita domiciliar. Pois é, vocês dois têm que estar muito a fim!

OBJETIVO: Bancar uma festa de casamento

Vocês querem oficializar a relação em um festão para amigos e familiares. Estarem de acordo com esse evento é o primeiro passo, mas muitas outras concordâncias serão feitas pelos longos meses que antecedem uma festa de casamento. Quantas pessoas serão convidadas? Será de dia ou à noite? No campo, na cidade ou no interior? Na cidade do noivo ou da noiva? Banda ou DJ? Cerimônia na igreja ou no bufê? São várias perguntas para responder, mas todas derivam da resposta para “Quanto vamos gastar na festa?” Para chegar ao valor, há dois caminhos: vocês checam as contas bancárias, somam as reservas financeiras e chegam a uma cifra possível para os dois. É a festa que vai se adequar ao bolso de vocês, não o contrário. Mas, se estão com grana sobrando, podem fazer uma pesquisa inicial de preço dos principais serviços que querem no evento e estabelecer um valor a ser pago por cada um. “O orçamento é o principal motivo de briga entre os casais, mas, uma vez que eles estão bem resolvidos com isso, o resto flui e fica até mais fácil lidar com a família, que também se envolve no casamento e pode exigir firmeza dos noivos para manterem-se no plano inicial”, explica a assessora de casamentos Marcia Possik, diretora da Marriages, em São Paulo. “Quando o casal não está em sintonia, muitas vezes é difícil conter os pais. Já cheguei a ver a mãe de um noivo convidando gente escondida porque não se estabeleceu um acordo desde o início”, conta Marcia. Vocês também podem evitar discussões ao saberem que está ok não decidirem TUDO juntos. Vocês podem fazer divisões — ele escolhe os
doces e você a tipografia do convite, por exemplo. Dividindo as funções, tudo vai ficar menos estressante. Quando tudo parecer louco demais, repita o mantra: não vou enlouquecer, é uma festa para celebrar o amor.

OBJETIVO: Comprar um imóvel

Aquele sonho da casa própria começa quando os dois têm pleno conhecimento dos ganhos do casal. Isso mesmo, tem que sentar e abrir o salário, além do montante guardado em investimentos, caso tenham. Feito isso, é preciso detalhar o que sai desse dinheiro para pagar gastos fixos (parcela do carro, conta de celular, internet, academia) e gastos variáveis (gasolina, restaurantes, supermercado). O resultado dessa conta é o que há de dinheiro disponível, no momento, para investir na casa. Aí vocês terão de responder: onde queremos morar? Perto do seu trabalho ou do meu? Vamos para um bairro mais caro, porém mais seguro, ou continuamos no mesmo bairro e investimos em um imóvel melhor? Será preciso entrar em acordo também sobre a forma de pagamento: vão juntar para pagar à vista ou entrar em um financiamento? “Pagar de uma vez é uma opção quando o casal não raspa a conta para quitar o bem. Se eu dou toda a minha grana, como vou arcar com outros gastos que virão, como o de mobiliar e reformar a casa — que custa cerca de 20% do valor do imóvel?”, diz o educador financeiro Reinaldo Domingos, fundador da Dsop Educação Financeira. “Financiar não é ruim no cenário econômico atual. Você dá uma entrada de 20% e assume uma prestação que não seja maior do que também 20% da sua renda para ficar com dinheiro na conta”, explica. Pode ser que vocês concluam que será preciso aumentar a receita ou diminuir os custos para concluir esse objetivo. Alinhados, sofrerão menos com as jornadas extras de trabalho e a economia, o que pode incluir desde banhos mais curtos até o fim no bate e volta até a praia quando der vontade.

OBJETIVO: Mudar de carreira

Quando você está solteira, encarar um novo desafio profissional é, sim, uma decisão que cabe apenas a você. Só que, envolvida com outra pessoa, os rumos da sua carreira também passam a ter um impacto na vida de quem está ao lado. E não é só financeiro, não — porque a sua mudança pode ser para ganhar mais –, é emocional e comportamental. “Toda decisão traz ganhos e perdas. Você pode assumir um cargo melhor, mas que vai diminuir a sua convivência com o namorado ou marido. Que vai exigir que ele se responsabilize por mais tarefas domésticas que antes eram suas. Ou, ainda, uma escolha que vai transformar a sua casa num dormitório, onde você só chega para tomar banho e dormir”, diz a orientadora vocacional e coach de carreira Andrea Deis, de São Paulo. O contrário também rola, quer dizer, você passa a ganhar menos ao decidir começar em uma área nova, que te fará mais feliz. Aí a conversa é outra: “Rola você segurar as contas sozinho?” “Tudo bem trocar, por um período, nossos fins de semanas por um curso intensivo que vai dar um upgrade no meu currículo?” Talvez essa mudança exija até mesmo uma nova faculdade ou uma rotina intensa de estudos, como a de quem presta um concurso público. Os dois casos requerem investimento de grana e de tempo. É legal fazer as contas da mensalidade da faculdade e multiplicar pelo tempo de duração do curso. Vai dar para bancar? E como vamos lidar com o fato de voltar a estudar TODOS os dias da semana, por anos, fora os sábados e domingos fazendo trabalho e as madrugadas em claro, durante as semanas de provas? Vai ter também a “galera da facul” para roubar um pouco mais do tempo que vocês têm juntos. Concurso público está longe de ser mais tranquilo de encarar, porque exige disciplina para estudar em casa, o que pode se tornar impossível quando não há colaboração debaixo do mesmo teto. “Os dois devem comprar juntos essa mudança para que ela dê certo”, diz Andrea.


O artigo acima foi originalmente publicado na coluna Amor e Sexo da Revista Cosmopolitan Brasil.

2017 © Carolina Ambrogini

Desenvolvido por S2W