Open/Close Menu Site da Dra. Carolina Ambrogini, Ginecologista e Obstetra em São Paulo - SP, Especialista em Saúde Feminina e Sexualidade, consultório na Vila Olímpia.
não usar sutiã
Uma participação minha neste blog do O Globo

Garotas estão deixando o sutiã de lado

POR DANIELA TÓFOLI

Foi-se o tempo que a “menina-moça” sonhava com a chegada do primeiro sutiã. Ícone da pré-adolescência no final dos anos 1980, graças a um comercial de sucesso, a tão esperada peça é a nova “arma” de protesto das garotas contra as diferenças de gênero. Se na primeira revolução feminista as mulheres “queimaram” seus sutiãs na fogueira, na próxima eles perigam nem existir mais. Tudo porque meninas de 10, 11 anos, justamente a idade na qual começam a usar o acessório, estão deixando-o de lado e questionando sua necessidade.

A discussão vai desde “por que eu preciso usar?” até “se o colégio não quer que nada apareça, que façam blusas de uniforme menos transparentes, ou de cores mais escuras”, passando por “os garotos precisam aprender a não ficar olhando toda hora”. Mães e pais contam que, quase sempre, as pré-adolescentes são influenciadas por irmãs ou primas mais velhas. Essas jovens millennials quase-adultas tanto já mudaram seus hábitos de consumo que até mesmo a marca de lingerie Victoria’s Secret precisou alterar sua linha de produção e passou a oferecer também modelos mais confortáveis, sem preenchimentos, bojos ou suportes. Em vez de modelos sexy de renda, o que as garotas querem agora é usar modelos esportivos, como tops, ou não usar nada.

A pergunta é: tudo bem não usar sutiã? De acordo com a ginecologista, obstetra e sexóloga Carolina Ambrogini, não existe uma recomendação formal do uso da peça, a não ser quando a adolescente tem mastalgia (dor nas mamas no período pré-menstrual), pois ela pode ajudar a amenizar o problema. “O uso do sutiã é puramente social e cultural. Tudo bem não usar, porém a menina acaba ficando com os seios mais expostos e tem que ter uma certa “maturidade” para “bancar” isso, pois pode gerar reações que ela talvez não esteja preparada para lidar.”

Uma delas é lidar com a curiosidade dos garotos. “Fica difícil pedir para os meninos não olharem, pois eles também estão descobrindo sua sexualidade. Não é uma questão de não ter respeito e sim algo mais instintivo e curioso”, afirma a médica. Nesses momentos, sugere, é importante que haja sensibilidade por parte da escola e da família em conversar para que os dois lados sejam entendidos: o da menina que não quer usar sutiã e o do menino que provavelmente não vai resistir e olhar.

Para as tweens que querem usar o acessório, Carolina concorda que o modelo deve ser o mais confortável possível, já que elas ainda são um pouco crianças, brincam e praticam esportes com frequência. Sendo assim, o top costuma ser o mais adequado. Ela alerta apenas para os procedimentos cirúrgicos: “As mamas podem crescer e se modificar até os 18 anos, por isto, qualquer intervenção antes dessa idade deve ser evitada. As próteses de silicone não devem ser proscritas antes disso e as cirurgias redutoras devem ser feitas apenas com aval médico e se os seios causarem muito desconforto para menina, como dores nas costas e má postura.” Apesar da recomendação, cerca de 10% dos implantes de silicone feitos no Brasil são em garotas com menos de 18 anos.

2017 © Carolina Ambrogini

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