Open/Close Menu Site da Dra. Carolina Ambrogini, Ginecologista e Obstetra em São Paulo - SP, Especialista em Saúde Feminina e Sexualidade, consultório na Vila Olímpia.
Tá de TPM

Xi, tá de TPM: por que temos que parar de criticar a mulher com essa frase

Em uma discussão, seja ela no campo pessoal ou profissional, usar argumentos como “você está naqueles dias” ou “de TPM” para encerrar o debate com uma mulher mostra, antes de mais nada, um profundo desconhecimento sobre a condição feminina.

“Tem mulheres que têm mais sensibilidade e são afetadas pelo ciclo, e outras, não. Eu, por exemplo, não sinto nada”, afirma a ginecologista e obstetra Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite, ambulatório de sexualidade feminina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

A médica diz que, no período que antecede a menstruação, a queda dos hormônios progesterona (“o hormônio da gravidez”) e estrogênio podem causar impacto no humor.

“Essas substâncias afetam os neurotransmissores. Quem tem propensão pode ter desequilíbrio na serotonina, que é o neurotransmissor do humor e aí apresentar sintomas como irritabilidade, choro fácil, compulsão por doces”, fala Carolina Ambrogini.

TPM não afeta só humor

Segundo a médica, de 30% a 50% das mulheres têm algum efeito leve ou moderado da variação hormonal do ciclo, mas que não impactará necessariamente no seu estado emocional. “Há aquelas que ficam com enxaqueca, as que apresentam inchaço.” A ginecologista da Unifesp diz que, mesmo as que têm o humor afetado, não perdem a capacidade de análise e de julgamento.

A exceção fica por conta de uma forma grave de TPM chamada TDPM (Transtorno Disfórico Pré-Menstrual) e que configura uma doença psiquiátrica que atinge de 2% a 8% das mulheres, de acordo com dados de uma revisão de estudos feita pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

“O TDPM tem um impacto significativo na vida da mulher, mas tem tratamento. Começo sempre indicando uma mudança de estilo de vida, com prática de atividade física, melhora da alimentação e diminuição de estresse. Feito isso, há dois caminhos de medicação: ou anticoncepcional, que vai manter estáveis os níveis de hormônio, ou antidepressivo. Cada caso terá uma conduta”, afirma a ginecologista e obstetra Carolina Mocarzel, chefe de clínica obstetrícia da Unidade Materno Fetal do Hospital Federal dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro.

Sobrecarga de tarefas

Para Carolina Ambrogini, na maioria das vezes, a mulher que perde a paciência não “está naqueles dias”, apenas sobrecarregada de tarefas. “Ela tem de parar de achar que tem de dar conta de tudo. Cabe a ela se negar a fazer sozinha e dividir as demandas.”

A psicóloga e psicanalista Blenda de Oliveira, psicoterapeuta de casais, afirma que nenhuma mulher fica “descerebrada” por estar no período pré-menstrual.

Chega de banalizar

“Mulher passa mesmo por grandes mudanças, quando menstrua, engravida, no pós-parto e na menopausa, mas isso não é demérito algum. O homem que usa esse discurso sabe que ele intimida, porque tem um tom depreciativo, mas fala sem nem saber do que está falando.”

Blenda diz, no entanto, que essa banalização da TPM é usada tanto por homens quanto por mulheres. “O homem repete o que ouviu falar, ao longo da vida. Às vezes, são as próprias mulheres que disseminam esse discurso. É comum receber, no consultório, pacientes se queixando de como a TPM afeta a vida delas.”

A psicanalista diz que, nesses casos, costuma sugerir uma investigação detalhada com um médico e a observação do que acontece de um mês para o outro. “É bem comum de não ter nada a ver com tensão pré-menstrual e, sim, com sobrecarga de tarefas, ansiedade ou mesmo quadros depressivos. Elas não conseguem nomear o que estão sentindo e pegam o recurso mais a mão.”


Texto originalmente publicado na coluna COMPORTAMENTO do portal UOL.

Imagem: Getty Images

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