Open/Close Menu Site da Dra. Carolina Ambrogini, Ginecologista e Obstetra em São Paulo - SP, Especialista em Saúde Feminina e Sexualidade, consultório na Vila Olímpia.

Apenas 20% das mulheres em idade fértil não tem nenhum sintoma menstrual ou peri-menstrual. Todo o restante, infelizmente, sente alguma coisa com a chegada do sangramento mensal. Os principais sintomas dessa fase são: cólicas (dismenorréia), cefaléia, dor nas mamas, inchaço e tensão pré-menstrual, a famosa TPM.

Ao falar de tensão pré-menstrual, lembro-me de uma lenda da mitologia grega. A deusa Prosérpina, filha da deusa Ceres, foi raptada por Plutão, o deus das trevas, que se apaixonou pela mesma depois de ser alvejado por uma flexa de Cupido. Assim, foi levada para o mundo subterrâneo e impedida de voltar à superfície, tornando-se esposa de Plutão. Ceres, ao descobrir o rapto da filha, ficou furiosa e exigiu que a mesma fosse devolvida. Plutão, por sua vez, não queria abrir mão de sua amada, porém, concordou que Prosérpina retornasse à superfície com a condição de que passasse a metade do tempo com ele. A deusa foi libertada, entretanto, durante quinze dias por mês descia ao inferno para rever o marido.

Como Prosérpina, muitas mulheres passam metade do mês submergidas nas trevas, dominadas por sensações de tristeza, fadiga e irritabilidade. É a TPM que surge trazendo uma avalanche de sentimentos e reações negativas. Já na Antiguidade, o médico grego Hipócrates descreveu um quadro no qual determinadas mulheres, antes das “regras”, apresentavam pensamentos suicidas dentre outras manifestações.

Por definição, a TPM é caracterizada por um conjunto de sintomas que se iniciam na segunda fase do ciclo menstrual, isto é, quinze a dez dias antes da menstruação, e que cessam completamente após o início da mesma. Acomete cerca de 80% das mulheres, porém apenas 8% sentem os sintomas de forma intensa (caracterizando o transtorno disfórico pré-menstrual). Entre as principais queixas estão: tristeza, choro fácil, irritabilidade, compulsão por doces, diminuição do desejo sexual, distúrbios do sono, dor nas mamas e retenção hídrica. O que pode, de fato, se tornar um verdadeiro “inferno” na vida de muitas mulheres, ao gerar conflitos no trabalho e na vida pessoal.

Não se sabe ao certo a causa da TPM, a principal hipótese é a de que a queda dos níveis hormonais que ocorrem no final da segunda fase do ciclo menstrual levaria a um desequilíbrio no metabolismo da serotonina no cérebro. Esse neurotransmissor é um dos responsáveis pela sensação de bem estar e sua diminuição, portanto, explicaria as alterações de humor.

Mas sabia que existem várias formas de amenizar a TPM? A prática de atividades físicas neste período é uma delas, pois libera endorfina (hormônio que alivia a tensão). Alimentos gordurosos e excitantes como café, chocolate e álcool também influenciam e devem ser evitados. Outra dica: reduza o sal para amenizar o inchaço. Alguns compostos à base de vitamina B6, cálcio e magnésio podem ajudar, bem como a prescrição de alguns tipos de antidepressivos, a grande novidade da medicina para o tratamento da TPM.
Saiba, no entanto, que conhecer o próprio corpo é a melhor maneira de passar pela TPM. Ao reconhecer os primeiros sintomas, procure se conscientizar que é só uma fase, vai passar. Comunique as pessoas mais íntimas e peça compreensão. Vale também buscar formas alternativas para aliviar o desconforto, como massagens, um banho de banheira, cinema, música. Que tal pedir ajuda para a sogra ou uma amiga cuidar das crianças? Permita-se relaxar!

Descer ao inferno todos os meses pode ser difícil. Mas com certeza nos deixa mais fortes, versáteis e hábeis para superar as adversidades que a vida inevitavelmente traz.

2020 © Carolina Ambrogini

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