Open/Close Menu Site da Dra. Carolina Ambrogini, Ginecologista e Obstetra em São Paulo - SP, Especialista em Saúde Feminina e Sexualidade, consultório na Vila Olímpia.
   Olá queridas,
  
   Sabe, não sou de frequentar missa, aliás não me considero católica nem pertencente a nenhuma religião. 
   Não fui batizada porque meu pai é ateu e na época em que nasci ele era comunista, portanto, radicalmente contra qualquer tipo de religião. Minha mãe também não era de religiosidades. 
   Na minha casa reinava o concreto, o real. Para vocês terem uma ideia, nunca na vida acreditei em Papai Noel, coelhinho da Páscoa, cegonha, etc. Meus pais desde muito cedo já cortaram o barato: “estas coisas não existem”, “os bebês nascem por que o papai e a mamãe fizeram isto”, “as pessoas morrem e vão para debaixo da terra”, “não existem anjos, santos, Deus etc” e por aí vai. Portanto, zero de educação religiosa.
   Quando eu estava na quarta série, meus amiguinhos começaram a fazer curso de catequese, para a primeira-comunhão. Para desgosto do meu pai, eu insisti que queria fazer também, num misto de tentar entender o que era religião e me tornar igual a todo mundo que eu conhecia que era católico. Além de uma enorme vontade de participar daquele ritual, incluindo a parte do vestido novo branco. Acabei fazendo a primeira-comunhão sem ter sido batizada. Pecado mortal.
   A partir deste momento, começou a minha jornada pelas religiões. Não me achei no catolicismo, aliás não conseguia (e ainda não consigo) entender como alguém podia gostar de ir a uma missa. Ficar seguindo no folheto tudo que o padre fala, ter que lembrar de falar aquelas coisas ensaiadas que eu nunca lembrava de falar, ter que decorar as rezas, confessionário, pecado, sem falar naquelas histórias de fariseus, judeus, romanos…Me desculpem os católicos, mas não gosto de missa.
   Depois de estudar várias teorias religiosas, passar por tudo quanto é tipo de experiência religiosa, do Hare-Krishna ao cambomblé, de aprender a ler tarot a ir em culto evangélico, de ficar um final de semana em um mosteiro beneditino a  fazer consulta astrológica anual, decidi que não precisava ter religião para ter fé. E, definitivamente, não sou atéia. Acredito em tudo. Me sinto muito espiritualizada, sigo minha intuição e tenho meus próprios rituais. 
   Mas voltando à história da missa, nunca pensei em levar as crianças numa. Se eu que sou adulta, já acho chato, imagino que para elas seria um martírio, sem falar no barulho e confusão que elas iriam aprontar…
   Eis que Domingo passado inventamos de ir na feirinha da Liberdade aqui em São Paulo, mas chegando lá, vimos que não ia dar certo com três crianças pequenas ( minha sobrinha de dois anos estava junto). Minha mãe, com seu espírito aventureiro (totalmente herdado por mim), propôs: “Vamos ao centro, é tão legal, vocês conhecem o Páteo do colégio, onde a cidade de São Paulo foi fundada?”
   Como já estávamos bem perto de lá e precisávamos descer do carro porque as crianças já estavam tocando o terror, falei com desconfiança: “tá bom! Mas só se tiver um lugar seguro para parar o carro”, já pensando nos trombadinhas e bêbados tão comuns do centro, infelizmente.
    Achamos um lugar seguro e descemos com as três crianças rumo ao Páteo do colégio, que se resume numa grande praça com um obelisco e ao museu do Anchieta. 
   Ao chegarmos na praça escutamos algo que parecia um canto, vindo de uma pequena igreja, junto ao museu. Como grande curiosa que sou, logo entrei para saber do que se tratava e os pequenos me seguiram. Era uma missa. Mas não uma tradicional, era inteira entoada por canto gregoriano. Ora um rapaz cantava, ora uma moça, ora um sacerdote. Não dava para entender nada do que entoavam, somente algumas palavras como “sagrado”, “Cristo”, “louvado” e afins. Mas era incrivelmente belo. Minha sobrinha de dois anos e a minha filha de 4, Marina, ficaram curiosas por alguns minutos e logo saíram para brincar na praça. Victor (de quase três)e eu ficamos estasiados, não conseguíamos sair do lugar. A Marina vinha nos chamar e ele falava: “eu não quer sair daqui, tá muito bunito”.    
   Aos poucos a igreja que estava vazia, começou a ficar cheia e um coral se formou no fundo. Alguns padres, pessoas e crianças vestidos de branco entraram enfileirados pelo meio da igreja carregando crucifixo, Biblia,  esfumador, velas. Descobri ser uma celebração especial pelo aniversário de São Paulo que é nesta próxima quarta-feira. O coral começou a cantar, seguindo uma melodia que vinha do órgão. As pessoas que estavam presentes começaram a cantar juntas numa comunhão que raramente vi num ritual católico. As crianças que estavam fora, entraram e ficamos por alguns minutos em profunda paz.
   Percebi que preciso dar mais atenção à educação espiritual das crianças. Não quero impor nenhuma religião. Quero mostrar várias, levar em diferentes lugares, para que antes de tudo, elas possam sentir. Para mim, religião é antes de tudo SENTIR. Nem precisa entender ou seguir regras, basta sentir. E guardar este sentimento bem no íntimo, para si, como uma preciosidade.
Bye.
Páteo do Colégio no Centro de São Paulo
P.S. 1) Uma visita ao páteo do colégio é bem legal. Além da arquitetura histórica, tem o museu do Anchieta e um café super charmoso no jardim do museu. Um lugar bem tranquilo, de muita paz.
       2) Missas entoadas com canto gregoriano acontecem todo Domingo de manhã no Mosteiro de São Bento no centro de São Paulo. O mosteiro é L-I-N-D-O, mas a missa fica lotada, difícil para levar crianças pequenas. Se você for, não se esqueça de comprar os pães e geléias artesanais que os monges vendem lá. Uma delícia.
      3) Existe o Mosteiro de São Bento de Vinhedo, cidadezinha a 100KM de São Paulo. Fica em meio a um bosque, muito lindo também.  
       4) Aliás, você já fez algum retiro espiritual? 
       5) Nunca estudei a Cabala. Se alguém tiver algum livro sobre o assunto para indicar…
     
   

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