Open/Close Menu Site da Dra. Carolina Ambrogini, Ginecologista e Obstetra em São Paulo - SP, Especialista em Saúde Feminina e Sexualidade, consultório na Vila Olímpia.

O ano de 2015 foi marcado por diversas manifestações em prol de mais liberdade e direitos legais. As mulheres foram às ruas pedir, sobretudo, por mais respeito. Respeito se quiserem sair de casa com uma minissaia sem ser consideradas “fáceis”, respeito pelo direito de fazer o que bem entenderem com o seu corpo e a sua sexualidade, respeito pelo direito de andar no transporte público sem sofrer assédio. Esses são alguns dos exemplos gritantes, pelos quais não deveríamos ter de clamar. Isso sem falar nos alarmantes índices de violência contra a mulher, nas desigualdades de salários, de cargos, de representações. Mas, antes de convidá-la para a próxima manifestação, gostaria que pensasse no machismo, que tanto abominamos, de uma forma mais profunda. Foram séculos de dominação patriarcal, em que nós, mulheres, éramos consideradas seres inferiores e sem capacidade intelectual. O papel feminino era de esposa, de mãe e ponto.

Foi coma revolução industrial e, depois, com as duas guerras mundiais que fomos mostrando, aos poucos, nossa capacidade de trabalhar e produzir tanto quanto um homem. Fomos ganhando poder econômico e a autonomia financeira nos deu coragem para mostrarmos nossa cara nos diversos segmentos da sociedade. Coma chegada da pílula anticoncepcional, ganhamos o direito de escolher o momento da maternidade, o que nos conferiu certa liberdade sexual.

As mudanças foram muitas e em um curto espaço de tempo. Hoje, somos independentes, mas carregamos nas costas todo o peso do machismo e, pior, ainda o legitimamos. Pense bem se no seu cotidiano e na criação dos seus filhos você não encontra esses traços de desigualdade. Na sua casa, quem é o responsável pelo kit limpeza-alimentação-roupas? Quando seu marido ajuda nas tarefas domésticas é prestando um “favor” ou por igual divisão de funções? Você acha que as demandas do lar são atribuições femininas, bem como a rotina dos filhos? Felizmente, já vemos muitas famílias em que a figura do pai está bem integrada na educação das crianças. Em algumas, raras, é ele quem deixa de trabalhar para se dedicar a elas.

E na carreira? Você, mulher, já sofreu algum revés ou deixou de ganhar uma promoção em benefício de um colega homem, mas, como chefe, não promoveu uma funcionária porque ela tinha planos de engravidar? Seja sincera. E com a sua filha, costuma ensinar que meninas devem ser recatadas e se comportar como princesas? Preste atenção, pois há uma propaganda maciça em torno dessa imagem feminina. Ela vai crescer, ter de batalhar muito pelo seu espaço e príncipe nenhum vai fazer isso por ela.

Se queremos mudanças reais em nossa sociedade, para que se torne mais igualitária, elas devem ocorrer primeiro em nossos próprios conceitos e na educação das crianças. Só assim, daqui a algum tempo, os homens vão poder chorar à vontade, sem que isso tenha uma conotação pejorativa. E nós, mulheres, poderemos relaxar e sair dessa roda- viva, em que temos de dar conta de tudo e ainda provar que somos boas. Quero um mundo assim para minha filha!

Fonte: Revista Crescer

Crédito da imagem: Shutterstock/Revista Crescer

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