Open/Close Menu Site da Dra. Carolina Ambrogini, Ginecologista e Obstetra em São Paulo - SP, Especialista em Saúde Feminina e Sexualidade, consultório na Vila Olímpia.
   Queridas, já lhes digo uma coisa: vocês não são as únicas. Muitas mulheres sentem dor na relação sexual. Chamamos isto, tecnicamente, de dispareunia. Para as que não permitem a penetração do pênis, chamamos de vaginismo.
    Sim, sei que vocês sofrem muito e sozinhas, que não se sentem completas, que evitam transar. As solteiras tem medo de iniciar novos relacionamentos, as casadas ou que namoram vivem com a sensação de que estão devendo “algo” para o parceiro. Sei que isto atrapalha em tudo, até em coisas que parecem não ter influência. Sei que choram escondidas, que se sentem incompreendidas.
   É, parece que todas as outras mulheres são felizes e completas, menos vocês. E o medo? Ah, o medo é muito grande, é paralisador. Medo de que? Da dor. E dói mesmo, não é frescura. Não adianta relaxar, tomar um vinho, tentar descontrair, passar lubrificante. Tudo isto vocês já tentaram fazer e não adiantou. Na hora H, vocês “travam” e vem uma frustração, uma vontade de entrar dentro de uma concha e desaparecer…
   Mas de onde surgiu isto? Vocês se perguntam na tentativa de se compreenderem. Todo mundo fala que o sexo é tão bom, então porque dói? Para cada uma pode haver uma razão diferente. Pode ser influência da  família ou da religião que supervalorizaram a virgindade e nunca falaram abertamente sobre sexo. Ou falaram muito mal, que era coisa de “vagabunda”, de “mulher fácil”ou que era pecado. Pode ser  muuuito medo de engravidar, mesmo tomando pílula e usando camisinha. Ou  também que as suas amigas tenham falado que doía muuuito a primeira vez e vocês já criaram aquela expectativa negativa.  Pode estar ligado a algum trauma ou violência que sofreram na infância ou na  adolescência. Enfim, existem mil razões, muitas vezes veladas, escondidas no inconsciente e que só aparecem através de emoções muito ruins.
   Mas sabe, a culpa toda é da mente, que faz com que vocês “travem” a musculatura peri-vaginal, das nádegas e das coxas. Assim, o pênis não consegue entrar ou entra com muita dor. Esta musculatura é forte, ela é capaz de segurar a urina e as fezes quando não é hora de ir ao banheiro, quando vocês a contraem, a vagina se fecha, diminui de tamanho.  Os hormônios podem influenciar também. Se há pouco estrogênio, o hormônio feminino, a mucosa da vagina fica fina, não lubrifica e a sensação é de ardor, além da dor. Pode haver diminuição de estrogênio na amamentação, na menopausa ou pelo uso crônico de pílulas de baixa dosagem hormonal.. Vocês veem, são várias questões que podem influenciar.
   Há tratamento? Sim, graças a Deus há solução. Mas  vão ter que ser corajosas, não há tratamento “mágico”. Vão ter que “desenterrar” coisas do passado, as vezes não muito agradáveis, revirar memórias, conversar com o parceiro, olhar pra dentro, conhecer o corpo, fazer exercícios… Não vai ser fácil, mas o esforço vai compensar depois. Da menina, vai nascer a mulher. Forte e segura por ter vencido uma dificuldade tão grande.
   E não podíamos ficar sentadas diante de tantas lágrimas. Criamos o CATVA (centro de apoio e tratamento do vaginismo e também da dispareunia), um braço do Projeto Afrodite porque percebemos que vocês precisavam de um atendimento diferenciado com fisioterapeutas, psicólogos e médicos. O CATVA funciona na UNIFESP e é totalmente gratuito. O telefone para marcar uma consulta é: 11 5549-6174.
   Criem coragem, agora vocês já sabem que existe ajuda.
 Bjs

2020 © Carolina Ambrogini

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