Open/Close Menu Site da Dra. Carolina Ambrogini, Ginecologista e Obstetra em São Paulo - SP, Especialista em Saúde Feminina e Sexualidade, consultório na Vila Olímpia.
   Desde que Eva mordeu a maçã, como “punição”, “Deus?” falou: “Parirás com dor”. Não costumo ler a Bíblia, mas me lembro bem desta parte. Ô azar…Castigo ou não, as contrações uterinas necessárias para dilatar o colo do útero são, na maioria das vezes, dolorosas. A dor é progressiva, começa mais leve e vai aumentando à medida que as contrações se intensificam e a dilatação aumenta, chegando ao ápice no período expulsivo (quando o colo já está todo dilatado e o bebê precisa sair). 
   Cada mulher tem uma sensibilidade e um limiar para a dor diferente, difícil de ser mensurado por escalas, mas costumamos pedir que faça uma graduação de 0 a10, ou que diga se está suportável ou não. Também é verdade que o medo e o desconhecimento aumentam a dor. Se a vizinha diz que é a pior dor do mundo, a mulher já fica apreensiva antes mesmo  de doer e quando começa o trabalho de parto já fica desesperada e suplica pela cesárea. Diferente de quem recebe uma boa orientação e que está comprometida com a idéia do parto normal.
   A primeira situação é, infelizmente, rotina na saúde pública em que a paciente é mal orientada no pré-natal e já chega com muitos mitos na cabeça. Já presenciei muitos casos assim, e é realmente triste acompanhar o trabalho de parto de pessoas totalmente enlouquecidas. A demanda é muito grande e a anestesia não é acessível à todas. Fato. Já a segunda situação, está se tornando cada vez mais frequente, apesar de muitas ainda tenderem para a cesárea, já falei disto aqui. Fato. Vejo cada vez mais, mulheres topando o parto natural, aquele sem intervenções médicas, ou seja, sem anestesia, sem “soro” para aumentar as contrações, sem episiotomia.
   Acho muito legal e admiro a força e a coragem destas guerreiras, mas não deixo de fazer algumas reflexões. Às xiitas pelo assunto, repito, reflexões, diferente de críticas. Um aspecto que não consigo entender, mas gostaria, é abrir mão da anestesia. O seu parto vai deixar de ser uma experiência incrível porque a sua dor foi amenizada?
   Pedi anestesia nos meus dois partos, quando a dor ficou insuportável. No segundo parto, demorei mais para chegar ao hospital e recebi a anestesia com 9 cm. Eu estava completamente descabelada, transtornada e desesperada. Eu, que sempre quiz parto normal, que fiquei andando em casa para as contrações ficarem rítmicas, eu que sou ginecologista e não tinha medo (juro!). Quase cheguei ao ponto de falar: “tira isto de mim”, “faz cesárea”. Porque doia muuuuito. Fato, dói. E se a dor fica insuportável, por que não lançar mão desta maravilha da medicina que é a anestesia? Juro, você não vai deixar de sentir-se vitoriosa e o seu bebê não vai sofrer nenhum dano por causa da anestesia. Aliás, você vai estar mais tranquila e calma para desfrutar ao máximo este momento tão especial. Alguém me explica, por favor, quero entender!
   Outra questão que não consigo entender e discordo é o parto domiciliar. Podem falar o que for, mas já vivi situações muito estressantes com gestantes de baixo risco para aceitar. Na maioria das vezes dá tudo certo? Sim, dá. Mas e a pequena porcentagem que não dá? Você vai comprometer a saúde do seu filho pelo resto da vida? Me parece um retrocesso, uma negação de tudo que a obstetrícia e a neonatologia já evoluiram.
   De qualquer forma, sou uma defensora da livre escolha do tipo de parto que a mulher quer ter. Inclusive se ela me disser que quer ter cesárea. Oriento, explico várias vezes sobre os benefícios do parto normal, mas respeito, acima de tudo a vontade da paciente. É o corpo dela e o filho dela. É o momento dela. Existe risco para a cesárea marcada? Estatisticamente, é melhor quando o segmento (a parte que vai ser cortada do útero) fica mais fina por conta do trabalho de parto. No entanto, na prática, nunca vi acontecer nenhuma complicação. Marco cesárea sim, se esta for a vontade da paciente, não por comodidade minha. Aliás, diga-se de passagem, adoro fazer parto normal. 

2020 © Carolina Ambrogini

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