Open/Close Menu Site da Dra. Carolina Ambrogini, Ginecologista e Obstetra em São Paulo - SP, Especialista em Saúde Feminina e Sexualidade, consultório na Vila Olímpia.
    Muito se tem a falar quando o assunto é medicina.
  Me vem à mente aquelas frases feitas do pessoal de antigamente: “a medicina é um dom”, “que abençoados são os médicos”, “que lindo salvar vidas”, etc. Só dos mais velhos ainda escuto estas coisas, para quem os médicos ainda mantem um certo respeito. Para os outros…Bom, melhor mudar o rumo da conversa, não é por aí que quero seguir hoje.
  Não me sinto diferente, nem melhor do que ninguém porque sou médica. Não faço parte da turma dos Deuses do Olimpo, já falei disto aqui..
  Escolhi a medicina quando tinha 16 anos porque adorava biologia. Queria fazer “engenharia genética”, ser cientista estava super na moda naquela época. Além disto, tinha um namorado que estava no terceiro ano de medicina e eu achava isto o máximo.
  Resumindo, não tinha noção do que era ser médico. A faculdade de medicina, por sua vez, também não ajuda muito, já que somos “protegidos” pela função de estudantes. Responsabilidade, só com as provas e com as festas.
  A “ficha cai” mesmo, quando chega a residência médica. Para mim foi impactante. No primeiro ano de residência um pensamento recorrente passava pela minha cabeça sonolenta de tantos plantões: “o que eu fui fazer com a minha vida?”
  Passados muitos anos depois, não me arrependo da minha escolha. Apesar de ter plena consciência de que ser médico hoje no Brasil é tarefa muito, muito árdua, sou apaixonada pela minha profissão. E não é porque “salvo vidas” ou “coloco vidas no mundo” ou porque “alivio o sofrimento” nem por um brilhante diagnóstico ou por uma cirurgia bem sucedida.
  É pela troca. Amo ser médica por causa das minhas pacientes. Claro, tenho paciente difícil, mas, de tudo, o que mais tenho dificuldade em lidar é com a arrogância. O resto tento entender, me colocar no lugar da pessoa. E sempre tem uma razão, basta ter paciência para escutar.
  Me sinto honrada por elas terem me escolhido para contar sobre sua intimidade, sobre seus momentos mais secretos, sobre suas dificuldades. Sou aquela que escuta o que ninguém mais pode escutar. Depositam em mim uma confiança e uma esperança que me faz prosseguir, estudar, querer dar o meu melhor.
  Com as pacientes já aprendi de tudo um pouco. Do mais simples ao mais complexo. Por exemplo:
– Receita de um bom iogurte caseiro, de cupcakes, de mousse de limão, (sim, juntam duas mulheres conversando sempre sai receita)
– Contatos diversos como o de quem vende os melhores orgânicos da cidade ou de quem trata enxaqueca com botox e ainda das melhores sex shops…
– Dicas para as inúmeras dificuldades infantis. Outlets para crianças. Passeios, peças teatrais, livros infantis…
– Filosofias pedagógicas (tenho muitas pacientes professoras)
– Turismo. Minha última viagem de férias foi sugestão de uma paciente.
– Cultura geral. Tenho paciente atriz, filósofa, pintora, escritora, muitas jornalistas, socióloga…
– Decoração. As arquitetas são ótimas.
– Religião. Adoro este assunto e tenho budistas, evangélicas (muitas), espíritas
– Recentemente aprendi que equitação é um excelente exercício físico.
– Sei de quase todos os efeitos colaterais dos remédios para emagrecer (obsessão feminina). Sobre as dietas mais malucas. E ainda sobre plásticas e tratamentos estéticos.
– Moda. Tenho paciente Personal Stylist e cabeleireira.
– Sem falar nos inúmeros exemplos de superação, de quem já quase morreu ou perdeu filho ou enfrentou um câncer. E ainda de quem já venceu um vício, de quem conseguiu emagrecer 30kg, de quem já doou um órgão para salvar a vida de outra pessoa, de quem convive com uma doença crônica, com uma deficiência, uma depressão…
 Puxa, e a delícia (e imensa responsabilidade) que é lidar com gravidez, parto e afins! Quero saber de tudo do enxoval, tema do quarto, chá de bebê, etc.
Quando as mães trazem os bebês no consultório ou mandam fotos, juro, compensam todos os telefonemas e madrugadas acordadas.
Para mim, a graça da medicina é isto, este laço único de confiança, de cuidado, de respeito, de escuta, de afeto. E me envolvo, sofro junto mesmo, não sei ser diferente.
Obrigada, minhas queridas. Vocês fazem tudo ter sentido. Sem vocês, a medicina seria um tédio.
Graças a Deus desisti de ser cientista. Seria péssima.
Bjs.

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