Open/Close Menu Site da Dra. Carolina Ambrogini, Ginecologista e Obstetra em São Paulo - SP, Especialista em Saúde Feminina e Sexualidade, consultório na Vila Olímpia.

Muito mais frequente do que se imagina, o casamento infantil é um dos fatores que mais reforçam a desigualdade de gênero e violam os direitos de meninas de todo o mundo. Apesar de ser mais comum em países do sul da Ásia e da África subsaariana, a prática é recorrente na maioria dos países subdesenvolvidos. Hoje, em torno de 700 milhões de mulheres se casam pela primeira vez antes dos 18 anos, ou seja, 10% da população mundial. Todos os anos, são 15 milhões de novas uniões, 28 a cada minuto.

Apesar de 193 governos terem assinado um acordo para erradicar o casamento infantil e/ou forçado até 2030, uma em cada três meninas de países subdesenvolvidos se casa antes de completar 18 anos. Isso ocorre porque as leis contra o casamento infantil existentes em cada país, muitas vezes, não são executadas, possuem exceções para o consentimento dos pais ou para tradições e costumes locais, explica Maryam Mohsin, da ONG Girls Not Brides (Meninas, não noivas, em tradução livre).

— A falta de segurança, por exemplo, também influencia a decisão. Em áreas de risco, onde os pais não conseguem garantir a segurança da filha, é preferível passar essa tarefa para o marido. Além disso, há o problema de as meninas ainda serem vistas como um fardo para a família e tratadas como sendo de menor valia do que os meninos, por isso, os pais tentam casá-las o quanto antes. Nesses casos, a pobreza dos pais influencia diretamente, porque a união acaba sendo uma saída para diminuir as despesas da casa e, em alguns casos, receber um dote pela mão da menina.

A grande maioria dessas meninas e mulheres deixa a escola após o casamento e passa a se dedicar apenas ao cuidado da casa e do marido. Segundo a ativista, quanto mais nova, mais suscetível a menina está a sofrer violência física, psicológica, emocional, financeira e sexual.

— Elas acabam se tornando inteiramente dependentes de seus maridos, que, normalmente, tem o comando e o poder de decisão dentro de casa. As meninas são mais propensas a sofrer violência doméstica e a ter problemas de saúde relacionados ao início da vida sexual e da gravidez precoces, principalmente, porque algumas delas se casam com apenas oito ou nove anos.

Nessa idade, muitas meninas ainda não entraram na puberdade e, por isso, seus corpos ainda não estão preparados para ter relações sexuais, afirma a ginecologista Carolina Ambrogini, do Centro de Sexualidade Feminina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

— Antes da puberdade, que acontece em idades diferentes para cada menina, uma relação sexual pode machucar muito, porque a vagina ainda não está adaptada para a penetração, ela ainda é pequena e não promove lubrificação.

Após a puberdade, a menina pode até estar fisicamente pronta para a vida sexual, mas ainda não para a gravidez.

— Engravidar na infância ou na adolescência pode trazer muitos riscos para a mãe e para o bebê, como um parto prematuro, restrição de crescimento do bebê, tem maior incidência de pré-eclâmpsia [quando a grávida tem pressão arterial elevada]. A incidência de morte materna e fetal também é maior na adolescência. Em geral, esses problemas tendem a ser menores após os 18 anos.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), as mortes maternas relacionadas às dificuldades na gestação e no parto são as principais causas da morte de meninas entre 15 e 19 anos no mundo todo. As chances de um bebê de uma menina com menos de 18 anos morrer em seu primeiro ano de vida é 60% maior do que um bebê de uma mãe maior da idade.

Todo tipo de união, formal ou informal, de acordo com o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e com leis internacionais, em que algum dos envolvidos tem menos de 18 anos, é considerada casamento infantil. Apesar da prática ser uma realidade para ambos os sexos, as meninas são as mais afetadas.

Fonte: R7

Crédito da imagem: Reprodução/empowerpeople.org.in

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